Aécio Neves recebeu R$ 35 milhões de empresas citadas na Lava Jato

As investigações da Polícia Federal de que empreiteiras citadas na operação Lava Jato depositaram dinheiro de esquemas de desvios na Petrobras em contas legais de campanha eleitoral, abertas e fiscalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), põem em dúvida a procedência do financiamento político do PSDB, DEM e PSB.

O sistemático vazamento seletivo feito pela grande mídia esconde a verdade. Pelo menos é o que aponta levantamento feito pela Agência PT de Notícias no período pós-prestação de contas eleitoral (28 de novembro). Foram encontrados R$ 35,77 milhões em doações ao senador tucano Aécio Neves, candidato derrotado no segundo turno (26 de outubro) pela presidente Dilma Rousseff.
Esse valor foi encontrado somando-se item por item as doações declaradas no portal do TSE por instituições hoje conhecidas por integrarem o cartel conhecido como “clube das empreiteiras”, responsável pelo esquema de desvios junto com doleiros e ex-diretores da Petrobrás, como Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar. Doações de caixa dois não estão consideradas pelo levantamento.
No total, o candidato à presidente pelo PSDB arrecadou, conforme o levantamento, R$ 222,92 milhões em doações legais na campanha eleitoral 2014. O dinheiro das empreiteiras doado a Aécio Neves corresponde a 16% desse total.
O levantamento apontou que o diretório nacional do PSDB recebeu R$ 174,29 milhões em doações e o comitê nacional financeiro para presidente do partido, outros R$ 201,25 milhões.
A soma dos dois – R$ 598,47 milhões – não pode ser considerada como definitiva porque partes dos recursos transitaram entre uma conta (do partido) e outra (do comitê) sem identificar o autor da doação. Ou seja, pode haver, sob a identificação da origem como “comitê financeiro do partido”, mais dinheiro das empreiteiras não explicitado ao TSE pela conta “comitê para presidente”.
O “clube” é formado, segundo os levantamentos da Lava-jato, pelas empreiteiras Camargo Correa, UTC, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Iesa, Engevix e Toyo Setal.
Apoio do clube a Alckmin
O governador reeleito por São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, foi, na oposição, um dos maiores beneficiários de doações do “clube”. Ele obteve cerca de R$ 8,5 milhões das empreiteiras, do total de mais de R$ 40,5 milhões arrecadados individualmente para a campanha ao governo paulista.
Pimenta da Veiga, o tucano derrotado na eleição ao governo de Minas Gerais pelo petista Fernando Pimentel, recebeu quase R$ 3,9 milhões do “clube”. No total, Veiga arrecadou R$ 40,4 milhões. O senador José Serra (PSDB-SP) arrecadou R$ 2,53 milhões do grupo denunciado à Justiça. No total, Serra obteve R$ 10,7 milhões em arrecadação eleitoral.
O ex-governador mineiro Antonio Anastasia, sucessor de Aécio, em 2011, foi eleito senador graças a quase R$ 1 milhão em doações do grupo de empreiteiras, de um total de R$ 18,1 milhões que conseguiu arrecadar.
O antecessor de Marina Silva na candidatura socialista, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, obteve R$ 1,27 milhão das empreiteiras. Até falecer em um acidente de avião, em agosto, o TSE havia registrado para Campos doações totais no valor de R$ 17,6 milhões. Marina só recebeu R$ 48,5 mil de um montante de R$ 43,95 milhões arrecadados para o PSB.
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